sábado, 8 de dezembro de 2012

Os Franciscanos e Maria



Thiago Damato, JUFRA
secretário fraterno da Fraternidade Porciúncula/Niterói - RJ


O amor dos franciscanos pela Virgem Maria remonta aos primórdios da Ordem, quando Francisco recebe os seus primeiros irmãos na Igreja de Santa Maria dos Anjos(ou Porciúncula).Segundo São Boaventura, o pobrezinho de Assis “fixou-se naquela igreja por causa de seu amor pela Mãe de Cristo”, transformando aquele pequeno Templo no berço da Ordem dos Frades Menores(OFM). Nosso seráfico pai compreendeu de modo especial o papel de Maria na História da Salvação, inspirando-se sempre na vida e pobreza do Altíssimo Senhor Jesus Cristo e sua Santíssima Mãe. A Ela Francisco compôs louvores, fez ardorosas súplicas em orações e implorou para que fosse sempre padroeira e advogada da OFM junto a Deus Pai todo-poderoso.



Na literatura Franciscana, temos muitos exemplos do “amor indizível”do Pobrezinho de Assis pela Virgem Nazarena. Chama-nos atenção, parte da composição do Oficio da Paixão, quando São Francisco nos diz: “Ó Maria, Virgem Santíssima, não há outra semelhante, nascida neste mundo, entre as mulheres; filha e serva do Rei altíssimo, o Pai celeste; mãe de Jesus Cristo, nosso Senhor; esposa do Espírito Santo”.De acordo com o frei Clodovis Boff, da Ordem dos Servos de Maria, professor de Mariologia em Roma, trata-se da primeira vez na história do Cristianismo, que se dá , explicitamente, o título de “Esposa do Espírito Santo” a Maria.



Outro servo franciscano que teve fervorosa devoção a Santa Mãe de Deus foi Santo Antônio. Acerca do nome de Maria, que significa “Amada de Javé “,o glorioso da Ordem dos Menores nos diz em parte de seus Sermões: “E o nome da Virgem era Maria. Nome doce, nome agradável, nome que conforta o pecador, nome de ditosa esperança. Que é Maria senão a Estrela do mar , o caminho claro que leva ao porto os que flutuam na amargura”. Aqui, o zeloso fradezinho de Pádua nos deixa bem claro que nossa Mãezinha é o melhor caminho para alcançarmos o porto da salvação, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo.



Como não poderia deixar de ser , a Paixão dos penitentes por Nossa Senhora também está presente nos escritos de Santa Clara. Em seu testamento, a “plantinha do menor dos menores”demonstra preocupação com aqueles que entraram no caminho do Senhor e são tentados a desvirtuar .Para preservá-los na fé, Clara recorre à proteção da Mãe de Deus: “Por essa causa, dobro meus joelhos ao Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão dos méritos da gloriosa Virgem Maria, sua Mãe”. Na terceira carta a Inês de Praga , Clara exorta sua irmã fraterna: “ Apega-te à sua dulcíssima Mãe, que gerou tal grande Filho que o próprio céu não pode compreender”. E foi na contemplação deste Mistério, inspirando-se na fidelidade da Virgem à seu dileto Filho, que a pobre Clara passou a vida em São Damião, cumprindo seu digníssimo mandato, ao lado de suas santíssimas irmãs.



Por fim, retornemos a Francisco, para entendermos melhor o verdadeiro espírito da veneração a Mãe de Deus. Certa vez, como nos conta frei Tomás de Celano, São Francisco deixou esta recomendação aos seus confrades: "Se não puderes atender de outro modo as necessidades dos irmãos, despoja o altar da Virgem e tira-lhe os enfeites. Crê-me: Ela ficará muito mais contente em ver o Evangelho de seu Filho observado e seu altar despojado, do que seu altar enfeitado e seu Filho desprezado". É assim que devemos proceder, não esquecendo-se jamais das palavras da Serva do Senhor: “ Fazei tudo o que Ele vos disser”(Jo 2.5).