quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Antifonas do Ó



Padre Evaldo César de Souza, CSSR

As Antífonas do Ó são sete antífonas especiais, cantadas no Tempo do Advento, especialmente de 17 a 23 de dezembro antes e depois do Magnificat na oração das vésperas (por isso são antífonas, ou seja, cantadas antes do canto principal). São assim chamadas porque tem início com o vocativo Ó. Também são chamadas de Grandes Antífonas (Antiphonae Majores). Ainda hoje elas são cantadas nos mosteiros e abadias de todo o mundo, mas também lembradas na liturgia da missa. A reforma litúrgica pós Vaticano II não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis na antiguidade e atribuídos ao Papa Gregório Magno (+604). Hoje se utilizam as antífonas na aclamação ao Evangelho durante as missas dos dias feriais que precedem o Natal.
As antífonas do Ó foram compostas entre o século VII e o século VIII, e são uma espécie de resumo da teologia sobre Jesus Cristo, um resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. O uso do canto gregoriano nas Antífonas do Ó sempre concorda a voz com a Palavra, reafirmando a importância da unidade da celebração, o uníssono da voz de toda a comunidade.
As antífonas expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: “Vinde”. Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo Testamento.
Há uma curiosidade no texto latino das Antífonas do Ó: a primeira letra das sete primeiras palavras que seguem o vocativo “Ó”, lida em sentido inverso, equivale ao acróstico ERO CRAS (“Virei amanhã”), um anúncio do próprio Messias aos fiéis no tempo do Advento do Senhor.