"Fernando de Bulhões e Taveira nasceu em Lisboa. Ordenado
sacerdote entre os cônegos regulares de Santo Agostinho, deixou-se
fascinar pelo ideal franciscano, por ter visto os corpos dos cinco
primeiros mártires franciscanos de Marrocos. Entrou no convento de Santo
Antônio de Coimbra, onde recebeu o nome de Antônio(...). Em 1221 participou do capítulo geral da ordem franciscana e viu
São Francisco. Pregou com eficácia contra os hereges dirigindo-se de
preferência ao povo. A Quaresma de 1231 assinalou o vértice de sua
pregação em que predomina as solicitações sociais(...)."
Sua Basílica é o principal monumento de Pádua e uma das
principais obras-primas de arte do mundo. Foi iniciada em 1232, possui
115 de metros de comprimento, 38 metros de altura chegando a 68 com a
torres, é rodeada por 8 cúpulas e o seu interior é construído em forma
de cruz latina.À esquerda está a capela onde encontra-se o altar-túmulo de Santo
Antônio. Ao seu redor estão dispostos nove relevos em mármore que
retratam cenas da vida e milagres do Santo.
A Capela das relíquias foi construída no século XVII em estilo barroco. Nos três nichos estão expostos dezenas de relicários. Em 1981, com a autorização de João Paulo II, foi efetuado um
reconhecimento do corpo de Santo Antônio, após 750 anos de sua morte. O primeiro reconhecimento, em 1263, revelou seus restos mortais
em excelentes condições, recolhidos numa pequena urna. As análises
científicas possibilitaram reconstruir as características físicas do
Santo: ele tinha 1,70m de altura, estrutura não muito robusta, perfil
nobre, rosto comprido e estreito. Foi encontrado também o aparelho vocal intacto: a língua e as
pregas vocais, assim como, os restos da túnica que estavam ao lado dos
ossos e as duas caixas antigas com panos da época.
Durante uma pregação, cujo tema era a Eucaristia, levantou-se um
homem dizendo: “Eu acreditarei que Cristo está realmente presente na
Hóstia Consagrada quando vir o meu jumento ajoelhar-se diante da
custódia com o SS. Sacramento”. O Santo aceitou o desafio. Deixaram o
pobre jumento três dias sem comer. No momento e lugar pré-estabelecido,
apresentou-se Antônio com a custódia e o herege com o seu jumento que já
não agüentava manter-se em pé devido ao forçado jejum. Mesmo meio-morto
de fome, deixou de lado a apetitosa pastagem que lhe era oferecida pelo
seu dono, para se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento.
Milhares de pessoas acorriam de toda parte para ouvir os
sermões de Antônio. O seu cristianismo não era monótono mas tendia a
austeridade, mesmo assim, não desencorajava os penitentes. Conta-se que
em uma quaresma, o povo de Pádua não ia trabalhar antes de ouvir Antônio
falar sobre a palavra de Deus. E ele já muito debilitado falava ao povo
de cima de uma nogueira em Camposampiero.
Numa tarde, um conde dirigiu-se à cela de Antônio. Ao chegar, viu
sair de uma brecha um intenso esplendor. Empurrou delicadamente a porta
e ficou imóvel diante de uma cena prodigiosa: Antônio segurava nos seus
braços o menino Jesus! Quando despertou do êxtase pediu ao conde que
não revelasse a ninguém a aparição celeste.Destruído pela fadiga e pela doença da hidropisia, sentiu que a
hora do seu encontro com o Senhor estava se aproximando. Desejou ir para
a igreja de Santa Maria, mas estando muito debilitado, parou em
Arcella, que encontra-se às portas de Pádua. Ali morreu aos trinta e
seis anos após pronunciar as palavras: “Video Dominum Meum” (vejo o meu
Senhor).É honrado com o título de “Doutor Evangélico”. Seu culto é um dos
mais populares da história e apressou sua canonização, ocorrida um ano
após sua morte.
Fonte: Canção Nova