segunda-feira, 28 de maio de 2012

Festa de Pentecostes - Arrebatado pelo Espírito




A vida de Francisco de Assis apresenta a particularidade muito evidente de nela se poderem discernir certos momentos-chave: um homem sentindo-se num ápice apanhado, arrebatado por outrem, e imediatamente desviado em direção diferente, como que sorvido por um tornado ou abrasado por um incêndio … Observemos estes arrebatamentos ocorridos sempre por ação do Espírito Santo.

Francisco caminha para o Pai pelo Filho no Espírito: é a «auto-estrada» que conduz à união com Deus, e que ele aprendeu pela prática da liturgia. A sua experiência do seguimento de Jesus, aprendida durante uma vintena de anos, desabrocha na grande doxologia da Primeira Regra, capítulo 23. E essa «auto-estrada» dum filho de Deus percorreu-a sob a conduta do Espírito. Tal é a profunda convicção que pretende transmitir aos irmãos ao dizer-lhes que «devem sobretudo desejar ter o Espírito do Senhor e deixar que esse Espírito atue neles» (2R 10,8).

Os seus primeiros biógrafos, e em particular S. Boaventura, gostam de salientar ação do Espírito do Senhor naquele que consideram como «o anjo do sexto selo» de que fala o Apocalipse, “esse selo impresso em sua própria carne não por qualquer força natural nem por processo mecânico, mas pelo poder admirável do Espírito de Deus vivo» (LM, prólogo). Não se esqueça que o século XIII correspondia à «era do Espírito», segundo as especulações milenaristas inspiradas em Joaquim de Flora, e que seduziram boa parte da cristandade.

Vivendo nós hoje também em tempo de renovação no Espírito, renovação que sobretudo a partir do Concílio Vaticano II vem florescendo em várias formas, o exemplo de Francisco poderá mostrar-nos como deixar atuar em nós o Espírito do Senhor.

Léon Robinot, ofmcap

Fonte: www.franciscanos.org.br